Incomoda a campanha feita pelas organizações Globo para trazer a Olimpíada de 2016 para o Rio de Janeiro. Quem acompanha as matérias e programas destinados ao tema concluirá que não existe problema algum na realização do evento no Brasil. Mais do que não atrapalhar, os Jogos revolucionariam o país de uma forma definitiva. Durante essa semana, na qual será definida a cidade sede, a coisa tem ficado pior. Está impossível assistir Sportv.
Para o canal, ser contra a candidatura do Rio é ir contra a pátria. O argumento de que os gastos para a realização dos Jogos serão abusivos parece ofender Os profissionais bradam que a Olimpíada 2016 será o grande salto de desenvolvimento social/esportivo do Brasil, pois irá gerar empregos e estímulo para a prática de outras modalidades de esporte. Outro argumento que incomoda é o de que megaeventos tupiniquins são rotas de desvio de dinheiro. Lá vem os ufanistas dizendo que isso é pessimismo e que Rio2016 será a chance de fiscalizarmos e exercermos nossa função na democracia. Parecem esquecer do Pan 2007, que torrou um caminhão de dinheiro na construção de estrutras hoje abandonadas.
A falta de critério jornalístico também enoja. Quando compararm Rio com Chicago ou Tóquio, criticam a falta de apoio popular dos americanos e japoneses (se esquecendo que a cidade brasileira foi criticada pelo COI pela falta de engajamento da população). Na comparação com Madri (que lidera o índice de apoio popular), citam a greve do setor hoteleiro da região (deixando passar o fato de que o Rio não tem estrutura turística suficiente para a realização de megaeventos).
Ainda pior são as reações já armadas. Se não formos escolhidos, o COI é racista e a América do Sul deverá criar seu próprio comitê olímpico. Básico espírito brasileiro. Aliás, fico até imaginando como Orlando Silva, Lula e Eduardo Paes vão se comportar caso o Rio de Janeiro não for escolhido. Vai ser barraco na hora, sem dúvidas.
Não sei o que será pior: a vergonha de não sermos escolhidos ou a de sermos.
Mostrando postagens com marcador democracia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador democracia. Mostrar todas as postagens
terça-feira, setembro 29, 2009
terça-feira, junho 12, 2007
segunda-feira, novembro 27, 2006
O Casamento das Luas
Freqüentemente, a velhice, mesmo sábia, não tem nenhuma noção do ridículo nos momentos de alegria, podendo mesmo chegar a dançar rodas e sarabandas, numa curiosa volta à infância.
É com o maior respeito e admiração que uso essa passagem do conto "O casamento da lua", de Vinícius de Moraes para ilustrar o ocorrido nos comentários do texto passado. Não que considere ridícula a discussão aqui locada. Muito pelo contrário! Apenas lembrei dessa passagem ao ver o debate entre os "velhinhos", como foi dito pelos próprios. Me senti orgulhoso de ter causado essa "volta à infância" de três monstros da cultura e do conhecimento.
Acho que, enquanto a democracia reinar, podemos ter esperança de um mundo melhor. O que me deixou agraciado foi ver o exemplo de democracia que eu tive aqui, no meu blog. Três visões diferentes puderam conflitar livremente, sem nenhuma censura ou bloqueio. A Internet nos permite isso. Independentemente de concordar ou não com o que foi dito, o que importa é que aquilo que foi dito, pode ser dito. Como disse Rousseau (citado por Soares).
Em um pequeno blog como este, tivemos uma enorme aula sobre democracia, ciências sociais, política.
Ainda resta esperança. Precisamos aprender com o passado, ouvir os mestres da nossa vida, juntar um pouco da Lua de cada um. E, quando chegarmos lá, quando atingirmos o nirvana político, voltaremos à infância e dançaremos rodas e sarabandas.
É com o maior respeito e admiração que uso essa passagem do conto "O casamento da lua", de Vinícius de Moraes para ilustrar o ocorrido nos comentários do texto passado. Não que considere ridícula a discussão aqui locada. Muito pelo contrário! Apenas lembrei dessa passagem ao ver o debate entre os "velhinhos", como foi dito pelos próprios. Me senti orgulhoso de ter causado essa "volta à infância" de três monstros da cultura e do conhecimento.
Acho que, enquanto a democracia reinar, podemos ter esperança de um mundo melhor. O que me deixou agraciado foi ver o exemplo de democracia que eu tive aqui, no meu blog. Três visões diferentes puderam conflitar livremente, sem nenhuma censura ou bloqueio. A Internet nos permite isso. Independentemente de concordar ou não com o que foi dito, o que importa é que aquilo que foi dito, pode ser dito. Como disse Rousseau (citado por Soares).
Em um pequeno blog como este, tivemos uma enorme aula sobre democracia, ciências sociais, política.
Ainda resta esperança. Precisamos aprender com o passado, ouvir os mestres da nossa vida, juntar um pouco da Lua de cada um. E, quando chegarmos lá, quando atingirmos o nirvana político, voltaremos à infância e dançaremos rodas e sarabandas.
quarta-feira, setembro 06, 2006
A virtude está no meio.
Não sei se o leitor concorda, mas penso que o Brasil é um país muito partidário. Cheguei à essa conclusão depois de observar as propagandas políticas. Parece que é um cânon eleitoral transformar a campanha em competição.
Para ilustrar o que estou dizendo, reparem nos jingles de PSDB e PT: começou com os tucanos, que lançaram aquela "Não ao mensalão, ao dólar na cueca...", que foi respondida pelos petistas com "Ai, ai, ai, ai, 'tá faltando segurança...". É claro o sinal de competição se prestarmos atenção na semelhança gráfica e rítimca dos jingles.
Sou absolutamente contrátio à adoção partidária por uma simples razão: ela é unilateral e eu combato qualquer tipo de unilateralidade. Isso não devia existir.
E eu explico...
Na minha visão, é, no mínimo, prepotente aquele que se diz de esquerda ou direita - por exemplo. Não se pode saber da resposta antes de ouvir à pergunta. Pra certos aspectos, a esquerda está certa. Pra outros, a resposta está na direita. Quando pré-determinamos um caminho, acabamos caindo na idéia de verdade absoluta: que não existe! O ideal é ser neutro suficiente para se aproximar das coisas e absorvê-las sem ser absorvido. Pensar quase que agnosticamente.
Posso estar falando um punhado de bobagem, mas essa é uma das reflexões que as campanhas eleitorais me promovem. Acredito que o eleitor brasileiro deveria pensar mais nessas coisas: o que está em jogo é o País e não uma competição publicitária. É preciso esquecer esses rótulos partidários e atentar às idéias de cada candidato para, enfim, discernir sobre em quem votar. Aos candidatos partidariamente inflexíveis, um lembrete: o absoluto é inacessível ao homem.
Para ilustrar o que estou dizendo, reparem nos jingles de PSDB e PT: começou com os tucanos, que lançaram aquela "Não ao mensalão, ao dólar na cueca...", que foi respondida pelos petistas com "Ai, ai, ai, ai, 'tá faltando segurança...". É claro o sinal de competição se prestarmos atenção na semelhança gráfica e rítimca dos jingles.
Sou absolutamente contrátio à adoção partidária por uma simples razão: ela é unilateral e eu combato qualquer tipo de unilateralidade. Isso não devia existir.
E eu explico...
Na minha visão, é, no mínimo, prepotente aquele que se diz de esquerda ou direita - por exemplo. Não se pode saber da resposta antes de ouvir à pergunta. Pra certos aspectos, a esquerda está certa. Pra outros, a resposta está na direita. Quando pré-determinamos um caminho, acabamos caindo na idéia de verdade absoluta: que não existe! O ideal é ser neutro suficiente para se aproximar das coisas e absorvê-las sem ser absorvido. Pensar quase que agnosticamente.
Posso estar falando um punhado de bobagem, mas essa é uma das reflexões que as campanhas eleitorais me promovem. Acredito que o eleitor brasileiro deveria pensar mais nessas coisas: o que está em jogo é o País e não uma competição publicitária. É preciso esquecer esses rótulos partidários e atentar às idéias de cada candidato para, enfim, discernir sobre em quem votar. Aos candidatos partidariamente inflexíveis, um lembrete: o absoluto é inacessível ao homem.
Assinar:
Postagens (Atom)

