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terça-feira, julho 28, 2009

Castelo de areia?

Sou estudante de jornalismo. Estou quase no fim do meu processo de graduação. E, da noite pro dia, meu diploma perdeu valor. Motivo para desespero, para revolta? Meus colegas que me perdoem, mas não compartilho dessa opinião.

Quem entra na faculdade em busca de um diploma já está fadado ao fracasso. Um curso superior existe para formar, não diplomar. E a formação jornalística continuará existindo. E, para mim, não perde seu valor. Aliás, deve ser melhorada. A Universidade que não conseguir formular um excelente curso de Jornalismo não será mais capaz de atrair alunos. Acredito que o fim da Lei de Imprensa representará também o fim de cursos mandraques. Além do mais, a Lei feria o princípio básico da função jornalística, que é a liberdade de expressão.

A único ressalva que faço nessa confusão toda é sobre o motivo que decretou a queda da obrigatoriedade do diploma jornalístico. Não foram as razões filosóficas que derrubaram a Lei de Imprensa, mas sim o lobby das grandes empresas. Querendo desmoralizar a classe e derrubar alguns direitos como, por exemplo, piso salarial, as coorporações jornalísticas (ou jornaleiras?) forçaram o desfecho alcançado.

Se os fins justificam os meios, não tenho nada a reclamar. Mas não acredito que possamos escrever certo por linhas tortas. Jornalistas são ferramentas sociais de importância e responsabilidade monstruosas. A nova estrutura da função foi fundada em alicerces comerciais. Só espero que não façamos do jornalismo um Palace II.

quinta-feira, março 19, 2009

Piratas do Vale do Silício


É daqueles filmes que provam que, muito mais do que efeitos especiais, o que vale no cinema é uma boa história, um bom roteiro. "Piratas do Vale do Silício" conta a história do início da revolução digital, com enfoque nos dois maiores expoentes desse nicho: Apple, de Steve Jobs e Microsoft, de Bill Gates. É notável que a produção contou com baixo orçamento. O filme foi feito para a TV. Mas isso não importa.

De uma maneira fácil, "Piratas do Vale do Silício" situa o espectador no contexto onde nasceu o que controla nossa vida hoje. Contextualizados com a gênese, é mais fácil de entendermos o mundo atual.

Mais do que gênios da informática ou empresários brilhantes, Jobs e Gates eram visionários. A grande virada de ambos foi perceber que tudo estava prestes a mudar. Preparados, conseguiram criar os impérios de hoje. Como Bill Gates define na película, "é preciso criar uma necessidade para o seu produto". Ele, como poucos, conseguiu.

sexta-feira, março 13, 2009

Jornalismo S.A.

Ronaldo foi o melhor jogador que eu já vi atuar.
Achei melhor escolher essa sentença pra iniciar o post para não soar azedo, mascarado. Tiro meu chapéu para o dentuço carioca que, merecidamente, conquistou o apelido de Fenômeno. Mas já passou do ponto.
Claro que o gol que ele fez contra o Palmeiras (marca direito, Marcão!) foi importante. Afinal, o maior artilheiro da história das Copas do Mundo voltou a balançar as redes após mais um difícil renascimento. Talvez o gol tenha sido maior que o jogo em si, sei lá... Mas a cobertura da mídia foi patética. Cléber Machado deixou de narrar a peleja para descrever as gotas de suor que escorriam pela (enorme) bochecha de Ronaldo.
E o circo não parou por aí. Só se fala no Fenômeno.
É importante ressaltar que o mundo do ludopédio não parou nessa semana. O Palmeiras não conseguiu ganhar, novamente. O São Paulo reencontrou o bom futebol. O Santos foi, mais uma vez, medíocre (excessão feita ao jovem Neimar, que é promissor). Vasco, Botafogo, Colo-Colo, Liverpool, todos os times do mundo também jogaram - assim como Ronaldo.
Só que o Gordão vende jornal, atraí audiência. Essa superexposição parece comprovar o quão comercial é o modelo que o jornalismo segue atualmente. Essencialmente, a cobertura da volta do Fenômeno é apelativa e sensacionalista e, ao contrário do que Galvões Buenos da vida bradam, não é uma reverência ao talento e garra do mesmo.
Vale lembrar que, com tanta coisa de mais importante acontecendo no planeta, o Jornal Nacional reservou mais de dois minutos de sua programação para uma exclusiva ao vivo com Ronaldo, na segunda após o dérbi paulistano. Do jeito que a coisa anda, se Ronaldinho se machucar, a Rede Globo vai mandá-lo fazer fisioterapia na casa do Big Brother.

sábado, novembro 10, 2007

Hupokrisis

Quarta-feira, 7 de novembro de 2007.
Fui obrigado a faltar nas aulas da faculdade porque o compromisso que eu havia marcado para a manhã atrasou. Deveria ser realizado às 9 horas da manhã, mas só pude chegar ao local por volta das 11. O motivo: a van que me levaria ficou presa no trânsito. Quase duas horas de "anda um pouco, pára". As motos costurando violentamente, os carros tentando achar espaços inexistentes. Além do trânsito, os automóveis prestam uma enorme contribuição para a destruição do meio-ambiente. A cidade saturou.
E a hipocrisia só ajuda a saturá-la ainda mais.

O tal compromisso era a prova teórica do Detran, que me permite tirar a habilitação e me tornar mais um elemento destruidor da cidade.

quinta-feira, agosto 16, 2007

Doutor Arnaldo

De segunda a sexta enfrento a Avenida Doutor Arnaldo. Pra quem não conhece, é a ligação da Rua Heitor Penteado e da Avenida Sumaré com a Rua da Consolação e a Avenida Paulista. Uma das mais importantes vias da cidade de São Paulo. Passo bastante tempo ali, pois o trânsito é caótico. Não é preciso visitá-la, no entanto, para observar o que mais me chama atenção na avenida: o nome.

Sempre procuro prestar atenção nos nomes das ruas. Talvez porque tenha medo de me perder, talvez por curiosidade pura. O que me impressiona na Doutor Arnaldo é a importância do tal "Dr. Arnaldo". Caramba, pensem: "Arnaldo" não é um nome incomum. Não é um nome que se destaque por unicidade. Aliás, é um nome bem simples. Toda vez que me deparo com a placa que indica a entrada da avenida, me fascino. "Esse cara deve ser o rei da cocada preta...", penso. Minha imaginação vai além: "O que tenho que fazer pra conseguir uma rua só com o meu primeiro nome, como 'Rua Guilherme'?"...

Pesquisei. Perdi alguns minutinhos no Wikipedia e no Google e descobri quem foi Doutor Arnaldo.

Arnaldo Augusto Vieira de Carvalho nasceu em Campinas, no ano de 1867. Era um excelente médico e renovou os métodos cirúrgicos em São Paulo. Foi pioneiro em algumas intervenções clínicas como, por exemplo, na técnica da gastrectomia (dentro do Brasil). Participou da fundação da Sociedade de Medicina e Cirurgia e da Policlínica do Estado. Destacou-se como diretor clínico da Santa Casa de São Paulo, após ampliar e reformar os serviços assistenciais da mesma. Seu maior feito, no entanto, foi a fundação da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. O estabelecimento fica na Avenida Doutor Arnaldo e é conhecido como "Casa de Arnaldo". Dr. Arnaldo faleceu em 1920, em sua cidade natal.

Foto: Homemdodedo, Wikipedia.

Obs.: Não espero nenhum comentário sobre o texto, sinceramente... Sei que não é estimulante. Mas o blog e a curiosidade são meus!

terça-feira, junho 12, 2007

La Contradición

1)



2)


Sem mais...

domingo, junho 03, 2007

450 mL

Como já foi escrito aqui, eu acho que vivemos um período de falência social e humanitária. Acho, sinceramente, que a nossa raça já virou o Cabo da Boa Esperança. Egoísmo, ditaduras, rebeldes sem causa, causas sem rebelde, corrupção, hipocrisia, moralismo, ódio, gente que mija no chão, racismo são algumas das células infectadas que se multiplicam no organismo global. Chamem um oncologista: a Terra está com câncer...

Há, porém, flashes de esperança - ou ilusão.
Falo sobre soliedariedade. Falo sobre altruísmo.

Na sexta-feira passada, fui ao Hospital Sírio Libanês com alguns colegas de faculdade para doar sangue. O procedimento é bem simples: você se cadastra, faz uma ficha, responde um questionário, faz um teste de anemia, senta numa cadeira pra lá de confortável, é espetado e pronto! Oito minutos e 450ml de sangue depois e você fez um pouco para alguém. Eu sei que há pessoas com medo de agulha, com fobia/nojo de sangue, ou sei lá mais o que, mas pensem na idéia. A enfermeira me informou que há muito menos doadores do que o "necessário" para cobrir as "exigências" do hospital. O Sírio Libanês está aberto para doações de segunda a sábado, das 7 às 18 - exceto feriados.

Doar sangue pode até não curar o mundo, mas eu garanto que deixa o doador com uma pequena sensação de alívio e de desencargo de consciência.

Experimentem.

quarta-feira, maio 30, 2007

In the Wall

Falou e disse...

P.S.: Pichações, por mais bonitas e significativas que algumas possam ser, também me causam o mesmo efeito...

segunda-feira, maio 28, 2007

Utopus

Não há limites físicos/geográficos para a Internet.
Melhor ainda, não há limites físicos/geográficos COM a Internet.
Hoje estou escrevendo do Mackenzie. Mas poderia estar em Butão, Bangladesh, Amsterdã, Santiago, Budapeste, Washington, Viena, Bruxelas, Congo, Roma...

Ok, talvez eu me fascine com pouca coisa. "Pouca coisa" porque minha geração já se encontra inserida nesse universo sem limites...
Ainda assim, fico deslumbrado...

No mundo novo, não existe "lugar".

quarta-feira, maio 23, 2007

Não urine no chão

A raça humana vive um período de falência.
Isso é fato.
Só não sei se é uma tragédia. Acho, sinceramente, que não merecemos o lugar em que vivemos. Sim, estou generalizando. Mas também não acho que cabe a mim apontar quem está correto ou não...

Agora, precisar mandar fazer uma placa como a da foto é um atestado de óbito da civilização. Ok, eu até entendo os dois últimos itens: "Após o uso dê a descarga" e "Jogue o papel higiênico no cesto". Esses passam, sendo muito complacente. De fato, não é difícil imaginar gente que não cumpra essas regrinhas sanitárias. Mas não me venham com "Não urine no chão". Isso não desce, isso me revolta.

Estamos fadados à desgraça mesmo...

domingo, maio 06, 2007

Misantropo

Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite... Menos eu.
Todo mundo tem sempre algo pra fazer, algum lugar pra ir, alguém com quem sair.

Não, não é que eu não tenha.

É só questão de me fechar.

O problema é meu.

Hoje, meus amigos são Simon & Garfunkel.
Hoje, meu passeio é na internet.
Hoje, minha conversa é com o blog.

Estou de mudança para o SecondLife...

Hoje eu quero sair só...



Com os devidos créditos pro Lulu Santos, pra Pri e pro Lenine.

sábado, fevereiro 03, 2007

A serenidade dos conformados

Há algo de errado com o mundo.

Aliás, há muito de errado com o mundo. Fisicamente falando, estamos à beira de um colapso que envolve questões complicadíssimas como, por exemplo, super aquecimento global, falta de recursos naturais para abrigar a população, efeito estufa e todos esses outros que ouvimos e lemos em todos os canais de comunicação. Como se não bastasse, atravessamos um período de falência social enorme. Crianças morrem de fome em pleno século XXI. Pobreza, desemprego, má distribuição de renda, carência de saneamento básico, falta de condições mínimas para a vida. A causa de tudo isso é clara e conhecida há décadas: o comportamento humano.

Chega a ser irônico, já que somos considerados "homens" por sabermos usar nossa racionalidade. Portanto, dizer que um ser que comete atrocidades sociais e crimes contra o planeta que o abriga é "humano" seria desconsiderar a etimologia da palavra "humano". Porém, como quem dá significado aos verbetes é o cotidiano - veja o caso de "medíocre", que de tanto ser usado erroneamente, passou de "mediano" pra "ruim" - destruir a harmonia do mundo não é mais desumano. E é isso que me assusta. É esse o "algo" de errado com o mundo. Cadê nossa indignação?! Cadê a vontade de mudar?! Não vejo em lugar nenhum... A grande maioria das pessoas prefere fechar os olhos e fingir que as engrenagens rolam normalmente.

É a serenidade dos conformados*.


A ganância tem sido o grande combustível do Planeta Azul. Mudemos isso! Permito-me recorrer à Revolução Francesa, que bradava os verdadeiros motivos para o Mundo girar: liberdade, igualdade e fraternidade! Vou além... Amor, respeito, carinho. A beleza das pequenas coisas, como o sorriso de um amigo e/ou de um desconhecido!

Qualquer sabedoria é bem-vinda neste blog. Hoje, recorro à popular: o pior cego é aquele que não quer ver...

INCONFORMADOS DO PLANETA, UNI-VOS!


*Termo extraído de um brilhante texto da Rô, sem título conhecido! Obrigado pela inspiração!