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quinta-feira, março 19, 2009

Piratas do Vale do Silício


É daqueles filmes que provam que, muito mais do que efeitos especiais, o que vale no cinema é uma boa história, um bom roteiro. "Piratas do Vale do Silício" conta a história do início da revolução digital, com enfoque nos dois maiores expoentes desse nicho: Apple, de Steve Jobs e Microsoft, de Bill Gates. É notável que a produção contou com baixo orçamento. O filme foi feito para a TV. Mas isso não importa.

De uma maneira fácil, "Piratas do Vale do Silício" situa o espectador no contexto onde nasceu o que controla nossa vida hoje. Contextualizados com a gênese, é mais fácil de entendermos o mundo atual.

Mais do que gênios da informática ou empresários brilhantes, Jobs e Gates eram visionários. A grande virada de ambos foi perceber que tudo estava prestes a mudar. Preparados, conseguiram criar os impérios de hoje. Como Bill Gates define na película, "é preciso criar uma necessidade para o seu produto". Ele, como poucos, conseguiu.

quinta-feira, março 12, 2009

Backstreet's Back

A proposta era desenvolver uma pauta qualquer sobre cultura. Eu e a minha dupla, Bruna, resolvemos falar dos Backstreet Boys. Assim que pensamos na pauta sobre os fãs do BSB, imaginamos que eles teriam mudado desde o fim da década de 90, auge da banda. Não foi o que encontramos, no entanto. Aqueles que eram fanáticos insistem no sentimento – e nas atitudes. Quando percebemos esse fato, mudamos o rumo da matéria.
Recrutamos os entrevistados em comunidades do orkut e fã-clubes oficiais da banda. Muitas pessoas retornaram nosso contato, querendo demonstrar o amor pelos BSB. Conseguimos colher muita informação e muitas histórias interessantes. Todas as entrevistas (cerca de 20) foram feitas através de e-mails.
Quando julgamos ter material suficiente para montar a matéria, sentamos e traçamos a linha do texto. Elaboramos quais temas e entrevistas iríamos utilizar e só juntamos as peças do quebra-cabeça.

Não pare de brincar com meu coração!
Por Bruna Prado e Guilherme Odri

“Hoje mesmo passei numa loja e comprei um esmalte preto. Todo mundo do meu serviço ficou me zoando, mas tenho que ir ao show a caráter. Afinal, o meu Backstreet Boy favorito é o AJ”. Quem conta o caso é Leandro Juvêncio do Reis, 21 anos. Em pouco tempo de conversa, percebemos que certas coisas o tempo não cura. Alguns sentimentos permanecem congelados, inerentes à passagem dos anos, apenas esperando para que qualquer catalisador os faça aquecer e aflorar novamente. Paixões infantis são mais do que descobertas. São influências.
Os Backstreet Boys ilustraram a geração dos anos 90. Foi o grupo de maior apelo pop da última década do século XX. Segundo o Guinness Book, a banda lidera o ranking de vendas entre boybands no mundo, tendo vendido mais de 120 milhões de CDs no planeta. A história dos BSB começa em 1993, quando Lou Pearlman, um empreendedor da área de aviação dos Estados Unidos, recrutou cinco garotos para serem agenciados por ele. Em 1994, a banda assinou contrato com a gravadora Jive Records e estourou no planeta inteiro em 1996, com o hit “Quit Playin’ Games (With My Heart)”. No ano de 1997, a consagração foi atingida com o álbum “Backstreet’s Back”.
No Brasil, os Backstreet Boys arrasaram. Não havia uma pessoa de 10 a 20 anos que não conhecesse a banda. As danças eram imitadas, as meninas brigavam pra “namorar” determinado integrante. “Cada uma das minhas amigas gostava de um diferente, então a gente levava os pôsteres pra escola e estendia no chão na hora do recreio e ficávamos babando!”, relata Tatiana Barbosa Del Nero, 21 anos (fã desde os 10). Fanatismo puro. “Nunca fui fã de ninguém. Não entendia como era ser 'fã' de alguém. Em janeiro de 97, ouvi a primeira canção dos caras. Três semanas depois, encontrei uma revista falando sobre eles. Acho que foi 'amor à primeira lida'”, diz a jornalista Milene Peres, 23 anos (dos quais 11 contaminados com a febre BSB). Em 2000, na primeira vinda da banda ao Brasil, mais de 45 mil pessoas se amontoaram na frente do hotel para conseguir ver os ídolos de perto.

Ou eles, ou eu!
Já teve gente que quase estragou o namoro por causa dos olhares e passos de dança dos “garotos da rua de trás”. E engana-se quem pensa que se trata de uma garota. “Me lembro de um mico que paguei uma vez no shopping center Norte. Era a pré-venda do ‘Millennium’ e eu fui com a minha namorada comprar o CD (ela nunca gostou de BSB). Chegando na loja, vi que tinha um livrinho com fotos e textos do álbum para deixar de divulgação na loja. Fiquei desesperado para conseguir o livrinho. Pedi para minha namorada chegar em um vendedor e pedir o livro de presente, dizendo que ela era muito fã. Ela se negou. Eu queria tanto o livrinho que pedi para uma moça que estava na loja falar com eles. A menina comentou: ‘Mas você está com sua namorada’. E eu respondi: ‘Não, ela é minha prima’. Final da história: Deixei minha namorada no shopping e fui na Pizza Hut com a menina. Ganhei o livrinho, e tenho ele até hoje”, conta André Cruz, de 20 anos. E a namorada? “Mais de semana sem falar comigo”, relata. Quem se importa?! O que vale é a souvenir dos BSB.
Lembra-se do Leandro, do começo da nossa história? Ele pintou o quarto de azul e preto, as cores de um álbum da banda. “Na época que os BSB deram tempo, fiquei com receio de ser o fim. Pra que a poeira não baixasse, resolvi pintar o meu quarto de preto e azul e escrever no teto ‘Black and Blue’! Colei um monte de pôsteres na parede, no teto, no armário. Todos que entravam no meu quarto não acreditavam que era o quarto de um homem”, diverte-se.

Mais que paixão: inspiração
Nem só de comédia se faz o fanatismo. Os ídolos, como dissemos, exercem influência sobre os fãs. De vez em quando, essa influência é positiva. Rejane Silva de Oliveira, 24 anos, resolveu aprender inglês por causa dos Backstreet Boys. “Eles inspiraram o meu amor e o das minhas amigas pela música. Formamos até uma banda, batizada de ‘Sweet Girls’! Eles também nos incentivaram a aprender inglês. Em 1999, entramos no curso de inglês juntas só para poder aprender a cantar as músicas e entender tudo o que eles falavam”, conta.
Patricia Matos, 23 anos, foi mais fundo: moldou sua carreira acadêmica e profissional a partir dos Backstreet Boys. “Sou estudante de Rádio e TV e, ano passado, produzi um documentário sobre a primeira vinda deles ao Brasil. Eu queria mostrar a visão das fãs. Além disso, eu desenvolvo uma pesquisa acadêmica sobre o mesmo tema. Costumo dizer que a pesquisa é a minha auto-análise, pois o objetivo é tentar descobrir porque as fãs agem de determinada forma. Também trabalho com produção fonográfica e sou musicista. Meu amor por eles foi fundamental na escolha da minha profissão e dos rumos da minha carreira”, relata.
Os Backstreet Boys voltaram ao Brasil em março. Todos os entrevistados estiveram lá.

terça-feira, julho 08, 2008

Juno


Finalmente assisti "Juno", o tão badalado filme que apresentou Diablo Cody ao mundo. E lamentei não ter ido ao cinema logo na estréia. Simplesmente uma obra-prima. Atuações excelentes de Ellen Page, Michael Cera, Jason Bateman, Jennifer Garner, Allison Janney e J.K. Simmons solidificam a qualidade da história. Mas a estrela principal do filme é mesmo o roteiro. Ele consegue, sem nenhum tipo de maniqueísmo, simplificar as complexas relações e reações que a sociedade estabelece e sofre quando encara uma bomba que foge do "padrão moral".
A situação trágica da adolescente grávida é um plano de fundo extremamente verossímil para a apresentação de personagens ainda mais verossímeis. Não existem estereótipos como na maioria dos filmes de Hollywood. Os agentes da trama não são "idealizados" e isso colabora para o maior efeito que o filme causa: o público se apaixona pelas personagens - e com extrema naturalidade.
Pra ficar em um exemplo, a personagem principal, Juno (Ellen Page), não é uma rebelde "porraloka", nem uma santinha idiota. É uma menina de 16 anos extremamente ácida, mas com uma visão completamente infantil e pueril das coisas ao seu redor. As toneladas de gírias que suas falas carregam disfarçam pensatas brilhantes (e, ao mesmo tempo, frívolas).
Pensatas, aliás, que pipocam por todo o roteiro. O filme não promove uma ou duas, mas várias reflexões. Das menores coisas às maiores.
Como se não bastasse, "Juno" arranca risadas do espectador, fazendo uso desde comédia pastelão até de um humor extremamente inteligente.
Minha maior impressão durante todo o filme era de estar mergulhado em alguma obra machadiana moderna. As relações dos personagens, a simplicidade da história, a realidade das situações abordadas e, principalmente, o intenso contato com o íntimo social, com a essência humana. Me senti lendo os contos de Machado de Assis.
Juno é, segundo a mitologia romana, a mulher de Júpiter (Zeus, na versão de Roma). Uma mulher tão linda quanto cruel. E essa é a melhor descrição do filme. Um safanão travestido de uma maravilhosa tragicomédia.

sexta-feira, junho 01, 2007

Retiro Cultural

É bom dar um tempo só pra si próprio. Terça-feira passada, foi o que eu fiz.
Aproveitei pra conhecer a nova Livraria Cultura, locada no Conjunto Nacional, na Paulista.

Em uma palavra: "Uau":

O lugar está maravilhoso. Amplo e com conteúdo. Pra quem gosta de livros e música, como eu, ali é um paraíso. Ou um inferno, pois os preços são meio salgados e acabamos passando vontade. Mas vale a pena. Fiquei uma hora ouvindo CD's e dando uma lidinha em alguns livros. Posteriormente, acompanhei o lançamento do livro do Reali Jr. O lugar ficou cheio de figurões e gente famosa. Eu e meu moleton cinza nos sentimos deslocados.

Champagne era a bebida servida, pra se ter uma idéia.

Ainda estiquei minha passagem com uma ida ao teatro (sim, dentro da livraria), onde assisti uma peça muito bonitinha, sobre amor. A peça chama-se "Serenata em dó de amor", e faz parte do projeto "Contos Inversos", que pretende resgatar o jeito de fazer poesia dos séculos XIX e XX com uma linguagem atual. "Serenata em dó de amor" narra a história de Antônio (Rômulo Estrela) e Tereza (Miriam Rezende - idealizadora, diretora artística e produtora do projeto), um casal que entra em crise depois de um tempo de paixão intensa. Ambos só se falam através de poesias. A trilha sonora é composta por trehos da obra de Villa-Lobos e é executada pelo Quarteto de Cordas Uirapuru. Bem interessante!

Enfim, São Paulo tem dessas... O que você quiser, encontra!
Até mesmo um retiro cultural.

quinta-feira, maio 31, 2007

Templo Zu Lai

A vida é estressante.
Acho que todos os leitores vão concordar com essa afirmação. Correria pro trabalho, faculdade, colégio ou com qualquer outra preocupação pessoal. O mundo de hoje parece andar no FF do controle remoto. Não há tempo para descansar. Na realidade, não há sequer tempo para desejar descansar. Até as férias acabam virando motivo de estresse: onde ir?, onde ficar?, quando voltar?, como voltar?, como ir?...
A vida é estressante!


Mas há luz no fim do túnel. Sendo mais específico, há luz em um ponto perto de Cotia, cidade próxima de São Paulo. Ali, no meio de lugar nenhum, encontra-se um dos maiores templos budistas da América Latina. O Templo Zu Lai fornece aos freqüentadores uma aura pacífica e tranqüilizante, impossível de ser descrita com palavras ou imagens. É necessário a presença. O que eu posso dizer é que é raro encontrar outro lugar em São Paulo em que se possa ficar a menos de 20 centímetros de um macaco (sim, lá eu fiquei a menos de 20 centímetros de um macaco). É raro encontrar outro lugar em São Paulo em que se possa respirar um ar saudável e gostoso. E é muito raro encontrar um lugar tão sossegado como o Templo. Tudo se harmoniza com perfeição e eu, por meio desse blog, faço questão de que todos os que acompanham o que eu escrevo marquem presença lá, ao menos uma vez. Eu garanto que vale a pena. Aos interessados: um ônibus sai todo domingo da Estação Liberdade, às 8:30 da manhã e retorna às 16:00. Totalmente gratuito.

Até porque não há dinheiro que pague a expriência.

quarta-feira, maio 30, 2007

In the Wall

Falou e disse...

P.S.: Pichações, por mais bonitas e significativas que algumas possam ser, também me causam o mesmo efeito...

terça-feira, maio 29, 2007

Rockers

Bob Gruen é, possivelmente, o maior espectador da música das últimas quatro décadas. Protesta?? Duvida?? Pede provas?? Vá até a FAAP e confira a mostra em exposição, chamada "Rockers". Trata-se da celebração dos 40 anos da carreira desse formidável fotógrafo (hoje com 61 anos), que acompanhou o fim da carreira de Elvis Presley, o auge de Led Zeppelin, o nascimento do punk e a carreira de muitos outros astros do rock e da música (John Lennon, Ramones, Sex Pistols, etc).

Além da qualidade incontestável das fotos, a exposição está muito bem montada. São 270 imagens, de negativos a painéis de 5 metros de altura. A mostra apresenta algumas divisões (como "John Lennon", "Punk" e "Bastidores"), alguns ambientes interativos (como um quarto de um fã de rock - com revistas, ingressos de shows e posteres) e a exibição de documentários e shows diversos. Ao todo, são nove áreas com cinco trilhas sonoras diferentes. Tudo muito bonito e, a melhor parte!, gratuito. Visita obrigatória para fãs de rock e uma ótima sugestão para qualquer admirador de fotografias.

sexta-feira, maio 18, 2007

World Press Photo 2007

Está em exposição, no SESC Pompéia, uma galeria com as melhores fotos jornalísticas de 2006. Trata-se da World Press Photo 2007, uma das mais importantes mostras do fotojornalismo mundial. Reúne 205 fotos de todos os cantos do mundo, sobre os mais derivados assuntos: do esporte à guerra, da ecologia à vida urbana.
Em destaque, a foto vencedora deste ano, do americano Spencer Platt. A imagem retrata um grupo de jovens libaneses, aparentemente abonados, voltando para casa, à frente de um cenário destruído por bombardeios israelenses. Além de desmistificar a figura do atraso generalizado que comumente se tem do Líbano, a foto explicíta o espanto com a situação, já que data de 15 de agosto de 2006 (dia de cessar-fogo entre Israel e Hezzbollah).

Outro destaque é a participação brasileira na mostra. Um ensaio clicado por João Kehl, 25 anos, sobre uma academia de boxe montada debaixo de um viaduto por um morador de rua recebeu o prêmio na categoria "Esportes em Geral". São doze fotos muito bem produzidas e bonitas, que traduzem bem o espírito de luta e superação do "admnistrador" e dos freqüentadores da academia.

Há algumas imagens bem chocantes, mas nada de sensacionalismo ou mau-gosto. Na realidade, o que mais impressiona é a veracidade da situação retrada. Não é raro o questionamento "Que mundo é esse??" pipocar na sua cabeça durante a visita. O espectador olha a foto e é tomado por reações à imagem. Porém, somente quando é contextualizado pela história da foto, no rodapé do quadro, que o choque o toma de verdade. E acho que essa é a beleza do hipermidiatismo, da convergência de mídias. O texto complementa a imagem, e vice-versa.

Eu, como leigo, recomendo.

World Press Photo 2007 - Em cartaz até 10 de junho, no SESC Pompéia - aberto de terça a sábado, das 9:30 às 20:30; de domingo, até 19:30. Entrada gratuita.

Fotos: Divulgação

quinta-feira, maio 17, 2007

Blogs...

Estou envolvido em mais dois blogs.
O primeiro é meu. Trata-se da minha modesta e crua opinião sobre a sétima arte. Quem gosta de cinema e gosta do que este que vos lhe escreve pensa, acesse: http://secao7.blogspot.com

O segundo é o Jardim Suspenso, blog do qual sou colaborador. Feito por palmeirenses para palmeirenses. Qualquer outro torcedor também é bem-vindo! O endereço: http://jardim-suspenso.blogspot.com

Enjoy!

quinta-feira, maio 03, 2007

Deibaidei

Voz, irritação, enrolação, voz, cobertor, irritação, enrolação, voz, cobertor, janela, irritação, pantufa, porta, pia, escova de dente, água, jornal, tv, orkut, chuveiro, água, armário, gaveta, calça, camiseta, sofá, tv. Banco, prato, talher, arroz, batata-frita, bife, coca-cola, fio-dental, escova de dente, água, lentes, chiclete, pulseira, brincos, celular, interfone, mochila, porta, elevador, hall, conversa, portaria, rua, ponto, conversa, ônibus, carteira, dinheiro, cobrador, dinheiro, carteira, mochila, banco, óculos, música, trânsito, buraco, moto, carro, buzina, cemitério, trânsito, buraco, moto, carro, buzina, cemitério, ponto, consolação, farol, piauí, prédio, elevador, multidão, escada, fadiga, sala, conversa, professor, aula, conversa, listras, camiseta nova, suspiro, escada, terceiro andar, coca-cola, pirulito, sala, conversa, professor, aula, conversa, elevador, multidão, escada, térreo, piauí, conversa, consolação, ponto, tempo, ônibus, música, multidão, equilíbrio, cansaço, sono, fome, ponto, rua, portaria, hall, elevador, porta. Pia, água, banco, prato, pão, requeijão, queijo, coca-cola, fio-dental, escova de dente, louça, chuveiro, água, tv, computador, msn, orkut, música, violão, msn, orkut, violão, escova de dente, cobertor, música, confusões, travesseiro, pensamentos, sono, confusões, fim.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Em um país que tudo se pode, qualquer coisa pode acontecer...

Somos um povinho miserável.

Desculpe-me ufanista de plantão, mas não há motivos para otimismo. Digo isso por causa desse trailer...





"Turistas" é a primeira produção da FoxAtomic, sub-divisão da americana Fox. Trata-se de um filme de terror de baixo orçamento sobre um grupo de americanos que, em visita ao Brasil, é seqüestrado por um maníaco que os tortura. Trata-se de um filme destruído pela crítica especializada norte-americana. Trata-se de um fracasso nas bilheterias (US$ 3,5 mi nos três primeiros dias de exibição). Trata-se também do novo estopim patriótico dos brasileiros.
Havia tempos não existia tamanha revolta nos corações tupiniquins. Já existem várias comunidades no Orkut contra o filme e diversos grupos de boicote.

O que parece não estar claro é que o filme em questão é uma ficção, não um documentário! A história poderia se passar em qualquer país, mas, ocasionalmente, se passa aqui. Como somos medíocres, temos essa reação. Enchemos os corações de patriotismo quando a paulada vem de fora, mas parecemos não ligar quando nos atingem por dentro. Amar a nação não é boicotar um filme de terror que, por tabela, loca um psicopata nas nossas praias. Amar a nação é querer o bem da mesma e lutar por isso. É se indignar com mensalões, sanguessugas, dossiês, Lulas e Lulinhas.

Indignação e patriotismo o brasileiro mostra que tem. Só resta saber quando é pra ter.

Vou ver o filme. E, sem medo de soar arrogante, afirmo que amo meu país mais do que, pelo menos, 60,83% dos brasileiros...

sexta-feira, junho 24, 2005

Nada me faz pensar! Acho que não tenho cérebro!

Mamonas Assassinas... Ah, que saudades... Ainda não me conformo com a morte desses caras... O Brasil precisava de mais gente como eles... Mas enfim, não vou ficar lamentando. Lembrei deles porque toda vez que sento para alimentar meu blog com as inutilidades de sempre, lembro de uma música pouco conhecida deles. Chamada "Joelho", encontra-se no segundo álbum deles, lançado após o desastre, com gravações ao vivo e faixas inéditas. O refrão canta assim: "Nada me faz pensar! Nada me faz pensar! Acho que não tenho cérebro!". Pois é por isso que hoje vou publicar mais uma redação que fiz para o colégio. Deveríamos dissertar sobre o "tempo", tema da Fuvest 2004. Espero que gostem!

Tempo absoluto?
Tempo astronômico, tempo civil, tempo compartilhado, tempo composto, tempo meteorológico, tempo! São várias as formas de conceituar o tempo. A que nos interessa é o tempo absoluto, ou seja, Passado, Presente e Futuro. Coisa tão abstrata que não se pode explicar com palavras. Afinal, como entender algo que muda com o passar dos segundos? O que era presente já é passado, que nada mais é que o futuro atropelado pelo...tempo. Se pensarmos bem, as três dimensões do tempo são uma só. Uma única dimensão em eterna metamorfose. Porém existem outras formas de classificar o passar absoluto dos segundos. Apresentarei três maneiras distintas de ver e entender o tempo.
Através da leitura de três textos de diferentes autores, pude sintetizar uma trinca de definições e percepções – uma bem distante da outra – do tempo. Enquanto o historiador inglês Hobsbawm fala em tempo histórico (o passado ajudando na explicação do presente e servindo como ferramenta para um futuro mais próspero – ou vantajoso – para quem o constrói: o agora entende o antes, que, por sua vez, constrói o depois), Herberto Linhares acredita na independência das dimensões temporais (Passado fica no passado, Presente fica no presente e Futuro fica no futuro. Não é válida a tentativa de explicação do agora com argumentos e pistas do antes. Portanto o que passou, fica lá atrás). Chico Buarque, por sua vez, acredita em uma visão mais romântica do tempo: o futuro como lugar onde tudo acontece. (“Nada é pra já”. Uma vida sem estresse, sem preocupações para agora, já que o “agora” chegará amanhã também).
Eu defendo a visão temporal de Hobsbawm. Não é só por ser um historiador que Hobsbawm acredita no passado interferindo no presente e futuro. Além disso, o tempo histórico é, uma das visões mais aceitas. Afinal, como eu já afirmei na introdução, as três dimensões do tempo são uma só, em eterna metamorfose. Por isso, me parece óbvio que o passado explique o presente e molde um futuro melhor. Os três elementos do tempo absoluto estão em contínua interação. Se pensarmos de outra forma, estaríamos negando toda a evolução da espécie, desde o surgimento do planeta, até os dias de hoje. Não é possível isolar antes, agora e depois, como diz Herberto Linhares, pois não existiria hoje sem ontem. Também é irrealizável pensar somente no futuro, como Buarque defende, pois um futuro sempre se tornará presente. E quando isso acontecer? Deixaremos a afobação para o dia seguinte? Não se pode ignorar o presente dessa forma.
O tempo histórico é prático e funcional, uma vez que consegue olhar pra trás mirando lá na frente. Essa é a concepção que nos ajudará a construir um futuro melhor. Porém, devemos estar bem intencionados, pois, como diz Hobsbawm, algumas pessoas já estão querendo olhar apenas para o passado próspero, a fim de se beneficiarem (por exemplo: políticos que só mostram as grandes obras que executaram, esquecendo sempre da corrupção e etc). Devemos compreender que o tempo é único. Só assim poderemos aprender com nossos erros. É mais correto pensar com essa filosofia. Se bem que seria muito mais agradável esquecer o passado e deixar a afobação sempre pro dia seguinte.