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sexta-feira, agosto 17, 2007

Perfil

A tarefa era traçar um perfil de algum desconhecido seu. Tarefa passada pelo professor Lucas, de Técnicas de Reportagem, Entrevista e Pesquisa Jornalística. Minha idéia inicial era entrevistar uma tal de Dina Venture, professora polivalente do bairro. A mulher dá aula de tudo. Sem mais. No entanto, a senhora Venture estava inacessível. Pensei, então, em dar uma pernada pela Paulista, em busca de alguma figura interessante. Vi palhaços, policiais e manobristas. Vi empresários, atores e estudantes. E acabei encontrando com um amigo. Depois de jogar conversa fora, resolvi almoçar com ele, para entrevistá-lo.
Fomos a um restaurante vegetariano. Lá, uma senhora de chapéu nos chamou a atenção. Um rosto europeu, coberto pelo cabelo do Alice Cooper. No corpo, um surrado moleton. E um chapéu de guia de safári. Pensamos se tratar de alguma turista australiana perdida na selva paulistana. Depois de uma série de especulações sobre a moça, resolvemos começar a entrevista. Foi quando ouvimos uma voz meio baixa:
-Boa a comida daqui né?! Boa, bonita e barata...

As conclusões do papo iniciado ali:

As beiras das ribeiras...
Irene Ribeiro é um símbolo da periferia do usual.

“Sou o Amyr Klink da terra”. É dessa forma que Irene Ribeiro responde quando perguntada sobre sua identidade. Aliás, apenas Irene (ou Irene Que Vai Pelas Beiras das Ribeiras), pois essa excêntrica senhora não gosta de “fazer parte de nenhum clã”... Foi por esse motivo que fugiu dos pais, no final da década de 80.
Nativa de São Paulo, Irene morava com a família num bairro de classe-média alta, em Alto de Pinheiros. Por causa de uma oportunidade de emprego, os pais decidiram se mudar para Embú das Artes, no interior paulista, onde morariam em um condomínio fechado. A idéia aterrorizou Irene, que resolveu aceitar o convite de um amigo para morar na casa dele, em Ilhabela. Lá, porém, foi expulsa pela mulher do colega e passou a morar em um carro, um Chevette. Depois de passar seis meses no “Chevettão”, como ela gosta de chamar, resolveu ir para Embú, morar com a família. Não que lhe agrade, mas ela não tem escolha. Irene vive na mesma casa desde 1987. Perdeu o pai para o câncer. O irmão se mudou para uma casa na frente da sua. A irmã e a mãe continuam juntas de Irene. A mãe tinha uma escola de artesanato e a irmã se dedica a defender os direitos dos animais. Irene mostra que tem talento – ou amor – para lidar com animais também: é Veganiana, apesar de não gostar do rótulo.
“Acho que sou. Não como carne de nenhum tipo, não como ovos, lacticínios, mel, couro, pele, seda, lã... Mas não gosto de assumir um rótulo do tipo: ‘Nunca mais vou colocar nada disso no corpo’, pois não sabemos o que será de nós amanhã”. A prática começou logo nos primeiros anos de vida. O corpo de Irene rejeitava qualquer tipo de comida de origem animal. Só conseguia comer papinha crua. Hoje, segue a dieta por questões de ética e saúde. E diz que nem sente falta. “A cozinha vegan é boa, bonita e barata. Nada se repete”. Sua proximidade com os animais fica ainda mais clara quando uma abelha se aproxima: “Olha, a abelhinha sente que não comemos carne e vem ser amiga”.
Irene gostaria de voltar a morar em São Paulo. A vida em Embú não lhe satisfaz. O condomínio em que vive é cercado por muros e fiações elétricas. Quase não há vida animal livre. “É um zoológico de homens, cães e gatos. Todos presos, confinados em seus espaços”. O desejo de voltar é tamanho que a senhora vem para a Capital quatro dias por semana, participar de um grupo que discute as idéia de Gurdjieff, um filósofo espiritual russo. O grupo se encontra em uma padaria nos arredores da Avenida Paulista. Gurdjieff faz uso de um mito de escala cósmica para encontrar o caminho das verdades. Não é a primeira experiência de Irene com o intuito de se encontrar. No final da década de 70, ela se submeteu à terapia Junguiana, bastante relacionada com os sonhos.
“Tenho um ânus só! Já viu gente com mais, meu filho?”, depois de uma gargalhada, ela completa: “Não sei minha idade não... Não estava lá quando nasci! Não sei se fui clonada! Chuta aí!”. Para Irene, idade não importa. Assim como o sobrenome. Não vale a pena guardar tanta informação inútil. É por isso que ela queimou a maioria das fotos de sua experiência no Chevette em Ilhabela. Depois de um tempo, as fotos se acumularam na gaveta e perderam o sentido. Ela decidiu, então, atear fogo nas recordações. “Não é que eu não gosto de registros. É que alguns são inúteis e acabam te comprometendo”. Por essa razão, Irene não permitiu que a fotografassem. “Além disso, tenho trauma com foto. Eu tinha uma babá portuguesa, chamada Lolita. Meus pais haviam adquirido uma câmera de filmar. Toda vez que eles iam me filmar, Lolita me mandava ficar rígida, para tirar foto. Por isso, sempre que falam em tirar uma foto minha, eu travo toda”.
Consegui uma foto de costas.
É possível perceber o esoterismo dessa senhora. Muitas vezes, incompreendido. O pessoal do restaurante se diverte com a presença de Irene. Olham como se fosse uma louca. Talvez seja. Fato é que, indo pelas Beiras das Ribeiras, Irene sempre busca um caminho alternativo e pouco usual para chegar à verdade. Talvez consiga, antes de qualquer um de nós.

sábado, agosto 11, 2007

Depois da tempestade...

Durma tarde. Acorde cedo. Não tome café. Use um penteado que te consuma, ao menos, cinco minutos do dia. Vista uma calça apertada. Coloque as lentes e esqueça, acidentalmente, o colírio. Vista o seu All-Star 38, quando o 39 seria muito mais confortável. Pegue um ônibus. Aliás, pegue dois. Pegue o metrô, por que não?! Almoce ao meio-dia, em um McDonald's da Avenida Paulista. Conquiste a sua mesa. Saia atrasado e erre o ponto, apenas para andar alguns bons metros até o ponto correto. Vá para o bar e não beba nada (apenas se deprima com os outros ficando cada vez mais tortos). Depois de vários pisões no pé, decida ir embora. Faça o caminho de volta mais complicado. Pegue 3 ônibus. Então, tire as secas lentes. Desamarre o All-Star 38, que deveria ser 39. Abra o botão e o zíper da calça. Despenteie o cabelo. Por fim, entre no banho e descubra como vale a pena passar por situações difíceis e consumidoras de energia se, no fim de tudo, existirem pequenos momentos de alegria esperando para serem desfrutados e extra valorizados.

quinta-feira, maio 17, 2007

Time alone...

A vida é muito inconstante. Não sei até que ponto isso é bom, agradável. A realidade é que nunca nos damos por satisfeitos. Se nada acontence, queremos tudo. Se tudo acontece, não queremos nada.
É tudo questão de timing, já dizia minha irmã.
Pena que eu pareço estar sempre atrasado. Quando os outros se abrem, eu me fecho. Quando eu me abro, os outros estão fechados.
Não acho que seja privilégio meu...

...Time will tell.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Humandróide

Infelizmente, não entramos no mundo com manual de instruções. Seria muito mais fácil. Saberíamos como agir, o que fazer, o que pensar. E, se tudo falhasse, saberíamos como desligar. É como me sinto agora. Com vontade de apagar, por tempo indeterminado. Não saber o que pensar cria monstros invencíveis e destruidores, que acabam com a sua paz e tranqüilidade. Monstros que te roem por dentro e por fora e te forçam a se mascarar.

Riscos de quem acha que a vida só vale se for intensa.
Conselhos pra amanhã: não ame demais, não super valorize nada, não se iluda, mate as esperanças.

Não, você não vai ser feliz desse jeito. Mas também não vai mergulhar num poço de desilusão e tristeza, do qual é muito mais difícil sair do que entrar.

É, a existência é perigosa. Acontece que, infelizmente, não entramos no mundo com manual de instruções...

segunda-feira, setembro 25, 2006

Mudanças

Repaginei o blog.

Não sei bem certo o por quê disso... Mas o fiz!
Fato é que mudanças sempre ocorrem em nossas vidas. Umas vem pro bem, outras nem tanto. Umas vem voluntariosamente, outras não. O importante é saber administrar essas guinadas que sofremos enquanto estamos aqui, nesse plano espiritual. Considero a consciência a maior divindade que possuímos. Por pensar assim, acredito que, quando estamos conscientes de alguma coisa, ela não nos atinge em cheio. Quando estamos conscientes que nada sabemos sobre o amanhã, podemos seguir alegremente pelos trilhos da nossa ferrovia vital. Sabendo que a vida dará limões, se prepare para fazer uma limonada! Algo por aí...

Meu dia não foi dos melhores, apesar de ter conseguido a dispensa no Exército. Talvez por isso meus pensamentos não estejam conectados corretamente e eu não consiga desenvolver uma linha de raciocínio decente. Sendo assim, vou colocar a letra de uma música do Lulu Santos, que conta como um compositor escreve sua música... Acho que se encaixa com o que eu tentei dizer nesse texto. Chama-se "Letra & Música":

"Deixar ser
Deixa tudo acontecer
Não vai derrubar
O que é bem de seu lugar
Deixa estar
O que for pra desandar
Que não é pra ser
Que não veio pra ficar

Vez em quando eu sinto
Uma grande dor
Que se não me mata
Me faz melhor cantor
Ou então eu capto
Uma vibração
A guitarra soa
E surge uma canção".

Mudanças... Idas e vindas...
Repaginei o blog.

quarta-feira, novembro 16, 2005

Zen-surfismo

Eu sei que suas atitudes confrontam com sua "ideologia". Sei que ele é um péssimo exemplo a ser seguido, visto que não consegue admitir opiniões contrárias. Sei que ele se torna um idiota quando parte para agressão física ao divergir de pensamento com outra pessoa. Penso que ele deve ser insuportável, uma vez que nem seus companheiros de banda o aguentaram...
Porém, sei que Chorão - vocalista da banda Charlie Brown Jr. - algumas vezes escreve letras de muita qualidade. É o caso da nova música de trabalho do grupo, "Lutar pelo que é meu". Destaco uma simples frase da canção, que diz: "Cada escolha uma renúncia, isso é a vida". Não é uma frase genial, mas sintetiza bem a linha de raciocínio de que a vida é um conjunto de opções e que cada caminho escolhido leva ao descarte de outro. A frase passa uma idéia meio assustadora. Algo do tipo: "PENSE MUITO ANTES DE FAZER, POIS PODE NÃO HAVER VOLTA". É um jeito muito rústico, pra não dizer bobo, de entender essa música, ou essa passagem. Sei que há muito além em sua letra do que esse aviso clichê. Porém, achei importante ressaltar esse detalhezinho, pois é nas sutilezas que se faz um grande trabalho.

É preciso, ao meu ver, estar sempre atento a todos os detalhes da vida, pois eles podem não passar de novo. É necessário refletir muito sobre como agir, pois nem sempre há uma segunda chance para refazer as escolhas erradas. O bom é que, vendo a vida como constante aprendizado, pode-se dizer que os erros são as lições mais produtivas.

Pra fechar, cito o mestre Lulu Santos:
"Nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia;
Tudo passa, tudo sempre passará..."